23 junho 2017

Rádio DIRETAS JÁ!





*Via face

Dr. Deltan, o senhor pode provar que não foi “lavagem de dinheiro”?



Por Fernando Brito*
Valor traz a informação de que Deltan Dallagnol recebeu, ano passado, R$ 219 mil por remunerações de palestras onde se apresentou como “estrela da Lava Jato” e o homem que vai prender o Lula.
Ao jornal, ele disse que “não controlou” os valores recebidos no ano passado com as palestras. “Foram dadas – segundo informações do próprio hospital [do interior paulista, que ele alega receber os recursos], porque eu não controlava isso diretamente – 12 palestras, que somaram R$ 219 mil”.
Será que se deve quebrar o seu sigilo bancário e o de quem recebeu o dinheiro para ver se não tem “lavagem de dinheiro”, doutor?
Dallagnol diz que não pode dizer quem pagou e quanto pagou, porque os contratos têm”cláusulas de confidencialidade”. Porque deveriam ser confidenciais contratos entre alguém que vai defender posições “cívicas” como as medidas contra a corrupção e empresas que foram se juntar a promoção de sua “ética” e “compliance”? Ainda mais quando tudo vai para a benemerência de um hospital infantil?
Ontem, ele foi a estrela de um evento promovido pela XP Investimentos. Diz o jornal que “Dallagnol não quis falar qual o cachê recebido’ pela palestra  “no maior evento da América Latina para a indústria de investimentos”, conforme descrição da XP Investimentos. O ingresso para o evento custa R$ 800. O procurador, no entanto, disse que prestará as informações à Receita Federal e que em 2018 divulgará o total recebido esta ano.
O doutor é uma figura pública, se apresenta como paladino da transparência, acha que a corrupção é “sistêmica” e vem falar de cláusulas de confidencialidade?
Ele argumenta que tudo é legítimo, citando regulamentos que reconhecem “palestras como aulas, atividades docentes”.
Os alunos de ontem do Dr. Dalllagnol eram, então, a papa-fina da turma da bufunfa, aprendendo que a corrupção “é uma causa que toca a todos nós porque recursos públicos desviados geram mal-estar e mortes ao nosso redor.”
Os 50% do orçamento público que saem para pagar juros aos alunos da escolinha do Professor Deltan não vêm ao caso.
PS. O Conselho Nacional do Ministério Público abriu uma investigação sobre os valores recebidos pelas palestras do Dr. Dallagnol. É pra rir?
PS2. E as palestras do Dr. Moro, são gratuitas?
*Jornalista. Editor do Tijolaço, fonte desta postagem.

21 junho 2017

13 razões para absolver Lula no caso do Tríplex - Ninguém pode ser condenado sem provas, com base apenas nas palavras de réus


1) A defesa provou que Lula não é e nunca foi dono do Triplex no Guarujá, que continua registrado em nome da OAS. 

2) Lula nunca teve a posse do imóvel, nunca recebeu as chaves; nem ele nem sua família passaram sequer uma noite ou um dia no Triplex. Lula esteve uma única vez no edifício, para verificar se tinha interesse em comprar o imóvel, mas não quis.

3) A defesa de Lula provou com documentos que Leo Pinheiro e a OAS não poderiam doar ou transferir o tríplex a ninguém, pois desde 2009 os direitos econômicos do imóvel estão alienados a um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal.

4) Lula não teve qualquer participação no contrato com a Granero para o armazenamento de documentos do acervo presidencial; o contrato é perfeitamente legal.

5) Lula não nomeou os diretores da Petrobrás investigados e condenados na Lava Jato; todos os diretores foram eleitos pelo Conselho de Administração, que inclui representantes dos acionistas privados.

6) Lula não participou da licitação, elaboração, assinatura ou execução dos 3 contratos da Petrobrás com a OAS em que a Força Tarefa aponta – sem provas – que teriam sido objeto de desvios ou pagamento de propina.

7) 73 testemunhas, da defesa e da acusação, negaram em juízo ter conhecimento da suposta participação de Lula em atos ilícitos na Petrobrás ou em qualquer outra esfera de governo.

8) As empresas internacionais de auditoria externa da Petrobrás KPMG e PWC atestaram em juízo que não identificaram nenhum ato ilícito ou desvio praticado pelo ex-presidente Lula na administração da estatal.

9) Controladoria Geral da União e do Tribunal de Contas da União também não identificaram qualquer desvio ou ilegalidade do ex-presidente Lula na Petrobrás.

10) Em seu governo, Lula aumentou os controles externos e internos da Petrobrás e de toda a administração federal, combatendo a corrupção, e não o contrário, como alega sem provas a Força Tarefa.

11) Depois de quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula, de seus familiares e colaboradores, a investigação não encontrou 1 centavo recebido ilegalmente por Lula, nem da OAS nem de qualquer outra empresa ou pessoa no Brasil e no exterior. 

12) Os promotores da Força Tarefa reconhecem que não há provas para condenar Lula e apelaram para teses esdrúxulas (domínio do fato, probabilismo, contexto de corrupção sistêmica) que não conseguiram demonstrar na acusação. 

13) Toda a acusação se sustenta em delações premiadas, algumas delas ilegais, e ninguém pode ser condenado sem provas, com base apenas nas palavras de réus. A ação contra Lula não se baseia na lei nem nos fatos: é um processo político, que visa excluir Lula e o PT do processo eleitoral.

*Via http://www.lula.com.br

19 junho 2017

Chico Buarque de Hollanda




Chico Buarque - Meus Caros Amigos

*No dia do seu aniversário, a modesta homenagem do Editor do Blog à esse grande poeta/cantor, lúcido, aguerrido e consciente brasileiro, o bravo companheiro Chico Buarque de Hollanda!

18 junho 2017

Joesley e a revista dos irmãos Marinho: porque faltaram as perguntas às quais o empresário quadrilheiro deveria responder



"A única saída é o STF anular o impeachment, Dilma Rousseff reassumir o Planalto e organizar eleições gerais antecipadas que restaurem a soberania popular"
Por Luiz Carlos Azenha*
Durante minhas quase duas décadas trabalhando como correspondente nos Estados Unidos, em Nova York e Washington, li várias reportagens nos diários locais — New York Times e Wall Street Journal, especialmente — que poderiam ser entendidas como lobby de corporações norte-americanas para abrir mercados no Exterior.
Eram textos que pareciam destinados à leitura de embaixadores e das elites de potências estrangeiras. Japão, China e, mais recentemente, a Índia foram os principais alvos. Grandes mercados.
No caso da China os jornalistas americanos se especializaram em denunciar violação aos direitos humanos e sindicais dos trabalhadores chineses.
Quando o Wall Street Journal publica algo em defesa de direitos trabalhistas, é preciso desconfiar. Objetivo encoberto: arrancar concessões de autoridades chinesas.
Só no Brasil a atuação de um governo em defesa de empresas nacionais é criminalizada.
Em Washington o governo serve de correia de transmissão para os interesses das megacorporações, como se viu recentemente com a venda de caças norte-americanos para dois Estados que se enfrentam no Oriente Médio, Arábia Saudita e Qatar. Às favas com a diplomacia, o que interessa é vender.
Isso vale para republicanos e democratas. Quando Bill Clinton indicou Ron Brown para secretário de Comércio, foi com a tarefa pública de usar a diplomacia dos Estados Unidos para abrir mercados, mais ou menos o que fez o ex-chanceler Celso Amorim nos governos Lula.
No caso da China os americanos aprenderam com Nixon. É muito mais eficaz trabalhar nos bastidores. Além disso, é preciso equilibrar o interesse das corporações que pretendem vender na China com os interesses do imenso capital norte-americano investido em parcerias com empresas locais.
No caso de aliados como o Japão, as denúncias midiáticas são bem mais eficazes. Eu me lembro especificamente de uma: quando as grandes lojas de varejo dos Estados Unidos pretendiam se estabelecer no mercado japonês — uma delas a maior empresa de varejo do mundo, o Walmart — a mídia norte-americana denunciou vantagens concedidas pelo governo japonês, em todas as esferas, aos mini-mercados que existem às centenas de milhares, espalhados pelas cidades japonesas, pequenas empresas familiares que são a base do comércio.
Todo este preâmbulo é para dizer que mercados contam e que o mercado brasileiro vale muito, especialmente se usado por empresas brasileiras para um salto latino-americano e, em seguida, mundial. Como diria qualquer capitalista, num mundo globalizado a vantagem geográfica e de escala conta muito.
Essa dimensão estratégica é completamente desconhecida pela Operação Lava Jato nas investigações de setores-chave da economia brasileira: da Petrobras às empreiteiras, do BNDES à JBS.
Foi o que abriu espaço para especulações em torno da íntima relação entre os meritocratas da PGR, do MPF, da PF e da Justiça e autoridades dos Estados Unidos, que podem influir no rumo das investigações pelo fornecimento ou supressão de dados na troca de informações prevista em acordos internacionais.
Seria demais esperar que, em sua entrevista à revista Época, dos irmãos Marinho, Joesley Batista fizesse uma reflexão aprofundada sobre o fato de que a corrupção é inerente ao capitalismo: o Estado existe para garantir que alguns se darão melhor que outros, justamente aqueles que podem comprar o poder.
Não é assim nos tão amados Estados Unidos do juiz Sérgio Moro?
Sim, tanto que a Suprema Corte norte-americana, para efeito de doações eleitorais, decidiu dar o equivalente a status de pessoa física às corporações, permitindo que elas interfiram praticamente sem limites no processo eleitoral e moldem a legislação em todas as esferas de governo — sempre à base de dinheiro.
Se malas de dólares não circulam entre empresários e políticos dos Estados Unidos com a frequência que vemos no Brasil, isso não significa que as empresas americanas não comprem legislação. Elas o fazem da mesma forma que a JBS, através de lobistas devidamente registrados em Washington que atuam junto aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Legiões de advogados e associações empresariais escrevem legislação e a submetem através daqueles que financiam. Isso é corriqueiro e frequentemente se torna público.
Um dos casos mais recentes foi revelado pelo documentário Emenda 13, da Netflix, que demonstrou como o complexo industrial-penitenciário comprou legislação para expandir a rede de prisões privadas que explora a mão-de-obra escrava dos dias de hoje, 60% dela negra.
Trata-se de uma ação muito menos descarada que a do gângster Eduardo Cunha, mas não menos perversa.
Na entrevista à Época, o pilantra Joesley Batista se diz surpreso com a dimensão das organizações criminosas que tomaram conta da política brasileira, sem ser forçado a reconhecer que, como subornador, ele também fez crescer seus negócios nos moldes de uma clássica organização criminosa.
Faltou perguntar a Joesley, por exemplo, como se deu a expansão da JBS e da J&F fora do Brasil.
Ele subornou alguém? Ofereceu alguma vantagem? Contratou algum lobista? Tentou interferir de alguma maneira no processo legislativo? Ele não considera que sua expansão internacional, feita com capital acumulado no Brasil, a juros subsidiados, está contaminada pelos vícios de origem?
Joesley teve a oportunidade de expor seu “altruísmo”, afirmando que buscava criar empregos e, assim, beneficiar as comunidades nas quais trabalha. Sendo assim, os políticos que atenderam suas demandas não poderiam usar o mesmo argumento e ter direito à mesma leniência?
Santa hipocrisia!
Mas, por que Joesley não foi encostado contra a parede durante a entrevista?
Podemos testar a hipótese: é um grande anunciante das Organizações Globo, além de aliado de ocasião.
Diego Escosteguy, autor da entrevista, é conhecido pelo antipetismo e se esmera em agradar ao patrão.
A entrevista de Joesley se encaixa no plano dos irmãos Marinho de derrubar Temer para promover um eleição indireta no Congresso.
O empresário, assim, é mero instrumento da disputa institucional entre PGR-Globo e o acordão antecipado por Romero Jucá, “com STF, com tudo”.
Paulo Nogueira, que trabalhou tanto na Abril quanto na Globo — agora está no Diário do Centro do Mundo — conhece Escosteguy bem, e escreveu sobre ele depois de ler manifestações do jornalista no twitter:
Escosteguy parece não ter ideia, ou finge, de que a Globo foi inteiramente construída com dinheiro público, em troca de conhecidos favores sobretudo aos generais que mataram, torturaram e perseguiram tantos brasileiros.
Escosteguy não sabe que sua empresa ainda hoje se beneficia de uma inacreditável reserva de mercado, coisa de quem quer capitalismo e concorrência só para os outros.
Saberá da sonegação da Copa de 2002? Do detalhe da trapaça fiscal feita pela Globo: alegou que ia fazer um investimento no exterior para não pagar o imposto devido pela compra dos direitos? Da tentativa de dar fim, por uma ex-funcionária da Receita, ao documento que comprovava a fraude dos Marinhos?
A Época mesma em que ele é vice-chefe com ares napoleônicos agora.
Quando eu cheguei à Editora Globo, o pobre contribuinte do Amazonas era instado a melhorar as contas da editora mediante compras milionárias de livros da Globo.
Dinheiro público, sempre dinheiro público.
Em troca, o governador recebia matérias louvatórias da Época.
Meu primeiro choque na Globo, e na Época, se deu exatamente aí. Briguei com o “operador” que fazia a ponte entre a editora e o governo do Amazonas.
O governador do Amazonas foi a São Paulo me intimidar. Tivemos um encontro patético, ao fim do qual ele me ameaçou: “Vou falar com o João Roberto Marinho.”
Escosteguy terá noção de como foi feito o Projac? Com dinheiro do Banerj, sempre público, e pago depois, pausa para gargalhadas, com anúncios.
E vem posar de Catão, este Kim Kataguiri do jornalismo, como se trabalhasse na Santa Casa de Misericórdia? Tem coragem de falar em “sites financiados pelo PT” — sem prova nenhuma, aliás — quando a empresa em que trabalha leva só das estatais federais 500 milhões de reais por ano com audiências despencando?
Vivemos no Brasil uma guerra intestina entre facções que ativamente promoveram ou se omitiram diante de um golpe de Estado que afastou a presidente legítima sem crime de responsabilidade, usando pedaladas fiscais de forma obscena. Um golpe que, conforme antecipamos, se tornaria uma verdadeira Galeria dos Hipócritas.
Um golpe contra a Constituição de 1988, contra os direitos trabalhistas, contra a soberania nacional e pela completa submissão do Brasil à globalização financeirizada.
A única saída é o STF anular o impeachment, Dilma Rousseff reassumir o Planalto e organizar eleições gerais antecipadas que restaurem a soberania popular.
*Jornalista, Editor do Viomundo (fonte desta postagem)

17 junho 2017

“Temer é o chefe da ORCRIM”: Joesley queimou a narrativa de Moro e o cérebro da extrema direita

              “Quem é o chefe da ORCRIM?”

Por Kiko Nogueira, no DCM*
A senha foi dada por Augusto Nunes, colunista da Veja por enquanto (toda a turma dele foi mandada embora, de Felipe Moura Brasil a Reinaldo Azevedo).
“O que falta é mais gente decidida a avisar nas ruas, aos berros, que o Brasil decente não se deixará intimidar pelos poderosos patifes que teimam em obstruir os caminhos da Lava Jato. Refiro-me à verdadeira Lava Jato, representada por Sérgio Moro, não à caricatura parida em Brasília por Rodrigo Janot”, escreveu.
Joesley Batista está terminando de enterrar a narrativa segundo a qual Lula comandava a chamada ORCRIM, organização criminosa, “o maior esquema de corrupção desde as pirâmides do Egito” e por aí vai.
Essa versão alimentou gerações de indigentes mentais que alimentavam outros indigentes mentais num ciclo que parecia infinito — e agora eles estão perdidos como alcoólatras sem o uisquinho da manhã.
Marcello Reis, o zumbi dos Revoltados Online, está batendo pino nas redes sociais. “Então, quem é Lula? Joesley diz que Temer é o chefe da quadrilha. Quem acredita em Joesley?”
Marcello, um picareta fanático — e vice versa — se sente enganado. Joesley só estaria dizendo a verdade se apontasse o dedo para Lula.
O dono da JBS falou o seguinte à Época:
O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.
O time de Moro perdeu o controle sobre a história que queria contar. Isso começou em maio de 2016, com o vazamento das conversas de Sergio Machado.
Logo que os áudios vieram a público de sua conversas, sendo a mais famosa a de Jucá narrando o “grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”, o primeiro a se manifestar foi o delegado Igor Romário de Paula.
“O que nos preocupa somente é que isso (o grampo) venha a público dessa forma, sem que uma apuração efetiva tenha sido feita antes”, afirmou ele.
Igor estava dizendo que há vazamentos bons e ruins. Os primeiros são os que são feitos pela força tarefa de Curitiba e que desembocam sempre no “Barba”.
O que resta, agora, é o pessoal pegar uma carona em Janot. Na semana passada, Deltan Dallgnol pediu a prisão de Aécio Neves.
Deltan teve a oportunidade de investigar o esquema de Aécio quando o doleiro Alberto Yousseff, há três anos, contou que a irmã do senador recolhia propina na empresa Bauruense, por contratos em Furnas.
Não o fez porque, assim como Augusto Nunes, Sergio Moro, Marcello Reis, Diogo Mainardi e tantos outros, dependem de Lula para viver. Lula garante o leitinho das crianças.
Joesley jogou água no chope e deu um curto circuito no powerpoint e no cérebro da extrema direita.
*Jornalista do DCM, fonte desta postagem

16 junho 2017

"O que nós precisamos é de uma saída na política. E a saída na política, neste momento, seria a abreviação do mandato de Michel Temer com a convocação de uma eleição direta no País imediatamente" (Deputado Marco Maia)

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Infindável crise política

Jornal do Comércio - por Edgar Lisboa, correspondente em Brasília - O deputado federal Marco Maia (PT/RS, foto), ex-presidente da Câmara dos Deputados, faz uma avaliação do momento em que o País vive e as relações entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Segundo o parlamentar, "primeiro, nós precisamos resolver a crise política que o País atravessa, para poder cuidar da crise econômica. E o grande mal que hoje nós temos é exatamente esta crise política, que é praticamente infindável. Nós temos denúncias, temos investigações em curso, temos ataques que são feitos contra o presidente Michel Temer (PMDB). Portanto há uma instabilidade política enorme no Brasil, que nós vamos precisar resolver", assinalou. Marco Maia conta que tem acompanhado, dentro do Congresso Nacional, o debate e percebe que "há, neste momento, uma tentativa por parte da base de sustentação do governo Michel Temer de blindá-lo, de protegê-lo, de criar uma carcaça de proteção e, com isso, impedir qualquer tentativa de cassação, de abreviação do seu mandato". Na avaliação do deputado, com a decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral, na semana passada, esse setor dentro do Congresso ganhou força, ganhou musculatura".

Tucanos fortalecem Temer

"Com a decisão tomada pelo PSDB, de sustentar, de permanecer no governo, se consolidou ainda mais essa ideia da permanência do Michel Temer à frente da presidência da República", afirma Maia. Acrescentando que, "com isso, a crise política permanece. Nós vamos viver ainda alguns meses de crise política, de crise institucional, de disputa entre os Poderes, o que vai, na minha avaliação, também agravar a crise econômica. O que nós precisamos é de uma saída na política. E a saída na política, neste momento, seria a abreviação do mandato de Michel Temer com a convocação de uma eleição direta no País imediatamente". Para Marco Maia, "isto permitiria que o povo tomasse a decisão, elegesse o projeto que gostaria que governasse o País, dando ao Brasil uma estabilidade política que poderia permitir ao País reconstruir a estabilidade econômica. Não acontecendo isso, nós vamos conviver, até novembro, dezembro do ano que vem, com uma crise política contaminando a economia e prejudicando a todos os trabalhadores", avalia.

15 junho 2017

Internet terá mais influência que a Globo em 2018


Ibope, internet e voto
Jose Roberto de Toledo, no Estadão*
Pela primeira vez, uma pesquisa extraiu da boca do eleitor o que urnas e ruas sugeriam mas faltavam elementos para provar: a internet virou o maior influenciador para eleger um presidente.
Sondagem inédita do Ibope revela que 56% dos brasileiros aptos a votar confirmam que as mídias sociais terão algum grau de influência na escolha de seu candidato presidencial na próxima eleição.
Para 36%, as redes terão muita influência.
Nenhum dos outros influenciadores testados pelo Ibope obteve taxas maiores que essas.
Nem a mídia tradicional, nem a família, ou os amigos – o trio que sempre aparecia primeiro em pesquisas semelhantes. Muito menos movimentos sociais, partidos, políticos e igrejas.
Artistas e celebridades ficaram por último.
TV, rádio, revistas e jornais atingiram 35% de “muita influência” e 21% de “pouca influência”, somando os mesmos 56% de peso da internet.
A diferença é que seus concorrentes virtuais estão em ascensão – especialmente junto aos jovens: no eleitorado de 16 a 24 anos, as mídias sociais têm 48% de “muita influência” eleitoral, contra 41% da mídia tradicional.
No total, conversa com amigos chega a 29% de “muita influência” para escolha do candidato a presidente, contra 27% das conversas com parentes.
Movimentos sociais alcançaram 28%.
A seguir aparecem partidos (24%), políticos influentes (23%), líderes religiosos (21%) e artistas e celebridades somados (16%).
Por que a internet tem um peso tão grande na eleição?
A constatação do Ibope é importante por levantar essa questão, mas, sozinha, não é suficiente para respondê-la.
Outras pesquisas baseadas em resultados eleitorais e estudos empíricos ajudam a entender o fenômeno, mesmo que indiretamente.
Lançado em 2016 nos EUA, o livro “Democracy for Realists” vem provocando polêmica por contestar o conceito popular de que, na democracia, o eleitor tem preferências claras sobre o que o governo deve fazer e elege governantes que vão transformá-las em políticas públicas.
Para os autores, e dezenas de fontes que eles compilam, não é bem assim.
O “do povo, pelo povo, para o povo” funciona na boca dos políticos, mas não na prática.
No mundo real, pessoas elegem representantes mesmo cujas ideias e propostas estão em desacordo com o que elas pensam.
Não fosse assim, os congressistas brasileiros deveriam sepultar em vez de aprovar as reformas da Previdência e trabalhista, rejeitadas pela maioria dos que os enviaram para Brasília.
Segundo Achens e Bartel, o eleitor não vota em ideias, mas em identidades.
Elege quem ele imagina que representa o seu lado contra o outro – sejam quais forem os lados. É aquela piada irlandesa. “Você é católico ou protestante? Ateu. Mas você é ateu católico ou ateu protestante?”.
Ou seja: de que lado está?
Nos EUA, essa linha é mais fácil de traçar porque as identidades se resumem, eleitoralmente, a duas legendas.
Mesmo na disruptiva eleição de Trump, 95% tanto de republicanos quanto de democratas votaram nos candidatos de seus partidos.
E no Brasil, onde dois em cada três eleitores dizem não ter preferência partidária?
Nas eleições de 2004 a 2014, a geografia separou petistas de antipetistas.
Bairros, cidades e Estados mais pobres ficaram majoritariamente de um lado; enquanto moradores dos locais mais ricos, em geral, ficaram do outro.
Em 2016, não mais. A internet misturou e segue confundindo essas fronteiras.
A construção de identidades virtuais via Facebook e Twitter aproxima forasteiros e afasta vizinhos.
Proximidade física importa, mas menos.
Quanto mais tempo ele passar online, mais a internet influenciará o eleitor.
O celular bateu a TV também na urna.
*Via Viomundo

Lanceiros Negros: Brigada faz operação de guerra para ‘garantir funcionamento habitual da cidade’ (em Porto Alegre/RS)


Brigada Militar montou operação de guerra no centro de Porto Alegre para despejar famílias da Ocupação Lanceiros Negros. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Por Marco Weissheimer, no Sul21*
Quando proferiu seu despacho determinando o despejo, em caráter de urgência, das cerca de 70 famílias que habitavam a Ocupação Lanceiros Negros há aproximadamente um ano e sete meses, a juíza Aline Santos Guaranha, da 7a. Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, manifestou uma preocupação especial. A magistrada recomendou o “o cumprimento da ordem aos feriados e finais de semana e fora do horário de expediente, se necessário, evitando o máximo possível o transtorno ao trânsito de veículos e funcionamento habitual da cidade”. Sintonizada com as preocupações da doutora Aline Guaranha, a Brigada Militar decidiu realizar a reintegração de posse na véspera da data do Corpus Christi, um feriado nacional para “celebrar a partilha do corpo de Cristo”.
No entanto, a preocupação em evitar transtornos no centro da cidade acabou esbarrando em decisões operacionais da própria Brigada Militar que transformou a área da operação de despejo em uma praça de guerra. Menos de uma hora antes da entrada em cena dos batalhões de choque da Brigada Militar, começava na Assembleia Legislativa uma audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Casa para tratar da situação dos moradores da Ocupação Lanceiros Negros. Falando em nome da Ocupação, Priscila Voigt, que acabaria sendo presa mais tarde, relatou uma situação de tensão e angústia vivida pelas famílias. A pedido delas, o deputado Jeferson Fernandes (PT), presidente da Comissão, decidiu transferir a audiência pública para a frente da ocupação. Separado por apenas duas quadras, o trajeto entre o plenarinho da Assembleia e a Ocupação, localizada na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, foi feito rapidamente pelo grupo que estava na AL e acabou surpreendendo os efetivos do choque da Brigada Militar, que mobilizaram um não tão pequeno exército para retirar os moradores do prédio da ocupação. (...)
Spray de pimenta e bombas de gás foram utilizadas largamente na operação. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
*CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

14 junho 2017

Procuradores confirmam isenção de Lula. E PF nada tinha contra diretores da Petrobras

tempoaperder

Antônio Fernando Barros e Silva de Souza e Cláudio Lemos Fonteles, ex-procuradores-gerais da República, em depoimento a Sérgio Moro disseram que o ex-presidente  Lula jamais interferiu no trabalho da Procuradoria-Geral da República, em seu governo.
“Nunca, em nenhum momento, houve qualquer pedido direto ou indireto sobre as atividades que eram da minha atribuição nem de outros colegas do Ministério Público”, afirmou Antônio Fernando Barros e Silva de Souza, que fez a denúncia que levou à Ação Penal 470, conhecida como “mensalão.” E acrescentou que, no período, foram tomadas medidas para aprimorar o combate à corrupção.
Já Cláudio Lemos Fontelles, procurador-geral da República entre  2003 e 2005, disse que Lula sempre respeitou a vontade da categoria profissional.
A muito custo, com o advogado Cristiano Zanin interrompido diversas vezes por Moro, que não parecia nem um pouco interessado em ouvir as testemunhas de defesa, o ex-diretor-geral da Polícia Federal, Luís Fernando Correa, respondeu que, entre 2003 e 2010 não tinha nenhuma informação que desabonasse os três diretores da Petrobras que  fizeram contratos e aditivos irregulares, recebendo propina por isso. A resposta, para todos os casos, foi “não”.
O ponto é essencial para a defesa – talvez tenha sido isso o que incomodou Moro – porque se a PF não sabia de nada, não se poderia imaginar que o Presidente da República sabia de tudo, até porque qualquer nomeação passa pelo Gabinete de Segurança Institucional, que verifica até se o cidadão tem o nome inscrito no SPC (não é força de expressão, era isso mesmo).
Mas, segundo as palavras de Moro, “juiz não tem tempo a perder” com essa bobagem de ouvir a defesa. Para quê, se o veredito já está dado desde antes de aberto o processo?
Provas não vêm ao caso.
(Por Fernando Brito no Blog Tijolaço)

13 junho 2017

Advogado a jornalista da Globo: A senhora falta com a verdade sobre o “ataque” que “sofreu”; veja vídeo

Da Redação* (atualizada às 21h15, para acrescentar novas informações)

Em sua coluna desta terça-feira (13/06) em O Globo, a jornalista Miriam Leitão,  disse ter sido ofendida por delegados do PT durante um voo.

Partindo do pressuposto de que a jornalista não estava faltando com a verdade, logo cedo a presidenta do PT, Gleisi Hoffman, publicou nota oficial sobre episódio.
Gleisi repudiou a atitude dos militantes, mas culpou Globo pelo clima de radicalização no País:
O Partido dos Trabalhadores lamenta o constrangimento sofrido pela jornalista Miriam Leitão no voo entre Brasília e o Rio de Janeiro no último dia 3 de junho, conforme relatado por ela em sua coluna de hoje.
Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com empresas para as quais trabalhem.
Entendemos que esse comportamento não agrega nada ao debate democrático.
Destacamos ainda que muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos.
Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe.
O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT.
Como a função da verdade é aparecer, para sorte dos petistas ela veio à tona rapídissimo.
O advogado Rodrigo Mondego estava no mesmo voo, testemunhou tudo e já no meio da manhã publicou em sua página no Facebook o texto abaixo:
 Cara Miriam Leitão,
A senhora está faltando com a verdade!
Eu estava no vôo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime. O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país.
A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de vôo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.
Se a carapuça serviu com os gritos de “golpista”, era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples.
E seja sincera, senhora odeia o Partido dos Trabalhadores e o atacou das mais diversas formas na última década, aceitando inclusive se aliar com os que antes foram seus algozes na ditadura militar.
Rodrigo Mondego
No final desta tarde, Rodrigo postou novo texto junto com o vídeo que está no topo:
Esse foi o tal “ataque” que a senhora Miriam Leitão “sofreu”.
Vejam e tirem suas próprias conclusões.
#AsOrganizaçõesGloboMentem
Obs: O comissário que aparece no vídeo está pedindo para um rapaz levantar o banco e abrir a “cortina” da janela, já que o avião estava para aterrizar.
Leia também:
*Fonte: Viomundo

"Café com Marx" (II)



Por Marcelo Pires Mendonça*

“O fato de o aumento das necessidades e dos meios de satisfazê-las resultar em uma falta de atendimento das necessidades e meios de satisfazê-las, é demonstrado de várias maneiras pelo economista (e pelo capitalista). 

Primeiramente, reduzindo as necessidades do trabalhador às míseras exigências ditadas pela manutenção de sua existência física, e reduzindo a atividade dele aos movimentos mecânicos mais abstratos, o economista assevera que o homem não tem necessidade de atividade ou prazer além daquelas; e no entanto declara ser esse gênero de vida um gênero humano de vida. 

Em segundo lugar, aceitando como padrão geral de vida (geral por ser aplicado à massa dos homens) a vida mais pobre que se possa conceber; ele transforma o trabalhador em um ser destituído de sentidos e necessidades, assim como transforma a atividade dele em uma abstração pura de toda atividade. 

Assim, todo o luxo da classe trabalhadora parece-lhe condenável, e tudo que ultrapasse a mais abstrata exigência (quer se trate de uma satisfação passiva ou uma manifestação de atividade pessoal) é encarada como luxo.” (Karl Marx, Manuscritos Econômico-Filosóficos)

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*Marcelo Pires Mendonça (foto) é professor. Trabalha na Secretaria de Educação do Distrito Federal. Foi Coordenador-Geral de Instâncias e Mecanismos de Participação Social da Presidência da República. É filiado ao Partido dos Trabalhadores.