07 abril 2018

Lula está livre; a direita, prisioneira de seu ódio



Um líder arrosta seu destino, e o destino nunca é duro demais aos predestinados.

Esta predestinação não nasce com os homens e mulheres, como supõem os deterministas.

Nasce com a vida e se confirma ou se dissolve a cada decisão que se toma, conforme a capacidade que se tem de absorver e encarnar o coração e os anseios de seu povo.

Há algo mais, também, de que se embebe alguém para ser líder: a história dos que lhe antecederam e o sonho que pertencerá aos dias de seus sucessores.

O Lula que ouvi falar, hoje, em seu discurso diante do Sindicato dos Metalúrgicos, com todos os sofrimentos que se poderia compreender num homem de 72 anos, era um líder de um povo, não um político como tantos.

Não era um derrotado, à beira de ser enjaulado. Derrotados se lamentam, e nada mais distante de um lamento do que suas palavras.

Ao contrário, eram História, como que a repetir as da trágica Carta Testamento de Getúlio Vargas:

Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. 

Que mais perto disso que a promessa de andar por milhões de pernas, por falar por milhões de bocas, que viver por milhões de vidas?

Ironia fina que só a realidade pode nos dar, a de ver o partido que nasceu renegando o caudal histórico em que o getulismo navegou viver a tragédia da perseguição que sofre Lula, porque este é o fado inevitável de qualquer um que siga o destino que lhe é imposto, o de representar o povo brasileiro.

A diferença, bendita diferença, é que o que se imaginava ser o féretro de Lula foi o Lula mais vivo que nunca carregado em triunfo por uma multidão.

Os vencedores, ou os que se creem vencedores, porém, estão presos, irremediavelmente presos ao crime a que seu ódio os levou. Não têm mais como assumir os discurso da civilização, porque usaram a lei para produzir a barbárie.

De sua semeadura, só a flor fétida do fascismo brotou.

(Por Fernando Brito - jornalista -, Editor do Tijolaço - fonte desta postagem.

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